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Sucessões

Um testamento de R$ 12 mil que levou 15 meses para ser resolvido

By fevereiro 12th, 2026No Comments2 min read

Nem todo problema sucessório envolve grandes fortunas. Às vezes, envolve falta de orientação adequada.

Atendi o caso de uma senhora viúva, sem filhos. Ela tinha apenas uma irmã como parente próximo. De boa-fé, decidiu fazer um testamento por conta própria, deixando seus bens para essa irmã.

A intenção era organizar.

Mas havia um detalhe importante: na ausência de descendentes, ascendentes, cônjuge ou companheiro, a própria lei já determina que os bens sejam transmitidos aos irmãos.

Ou seja, o testamento repetia exatamente o que a lei já estabelecia.

O único bem deixado era um fundo de investimento com pouco mais de R$ 12 mil.

Quando ela faleceu, o que poderia ser resolvido rapidamente tornou-se um percurso judicial obrigatório.

Na época, havendo testamento, o inventário precisava necessariamente tramitar pela via judicial. Não havia possibilidade de conversão para extrajudicial.

Tivemos que:

  1. Abrir ação de abertura e cumprimento de testamento.
  2. Após isso, iniciar inventário judicial.
  3. Cumprir todos os atos processuais formais.

O resultado?

A irmã levou 15 meses para receber pouco mais de R$ 12 mil.

Se não houvesse testamento, o inventário poderia ter sido feito em cartório. Em uma ou duas semanas, tudo estaria resolvido.

O que era uma tentativa de organização acabou gerando burocracia desnecessária.

O que esse caso demonstra?

Planejamento sucessório não é apenas “fazer um testamento”.

É compreender:

  • quando o testamento é necessário,
  • quando é dispensável,
  • quando pode complicar,
  • e qual instrumento jurídico é mais adequado para cada realidade.

Testamento é ferramenta. Não é solução universal.

Sem orientação técnica, até uma medida bem-intencionada pode produzir efeito contrário.

Organizar a sucessão exige análise estratégica. Não improviso.

E aqui fica a reflexão final:

Quantas decisões patrimoniais estão sendo tomadas com base na boa intenção — mas sem base técnica suficiente?

Planejar não é apenas querer organizar.
É saber como organizar da forma correta.

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