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Sucessões

O custo de deixar o planejamento para depois: um inventário aberto há 8 anos

By fevereiro 12th, 2026No Comments2 min read

Alguns dos casos mais difíceis que enfrento não são aqueles em que falta patrimônio. São aqueles em que o patrimônio existia — mas o planejamento ficou pela metade.

Essa família me procurou para realizar um planejamento sucessório estruturado. Havia acervo patrimonial expressivo. Havia questões sensíveis, inclusive um herdeiro fora do núcleo familiar tradicional. Era exatamente o tipo de situação que exige organização prévia.

Iniciamos os primeiros passos.

Estruturação patrimonial, discussões estratégicas, desenho sucessório.

Mas veio a resistência.

Decisões adiadas. Assinaturas postergadas. Reuniões canceladas. O clássico “vamos fazer depois”.

O depois não chegou.

O patriarca faleceu antes da conclusão do planejamento.

O resultado foi a abertura de um inventário em 2018. Hoje, oito anos depois, o processo ainda não foi concluído.

Nesse período:

  • negócios imobiliários foram perdidos,
  • imóveis ficaram paralisados,
  • bens sofreram depreciação,
  • conflitos familiares se intensificaram,
  • os custos processuais superaram, com larga margem, o valor que teria sido investido no planejamento preventivo.

E aqui está uma das maiores distorções que vejo na prática: muitas famílias consideram o planejamento sucessório caro.

Mas o inventário desorganizado é infinitamente mais oneroso.

O planejamento é previsível.
O inventário litigioso é imprevisível.

O planejamento organiza.
O inventário expõe.

O planejamento reduz conflitos.
O inventário potencializa tensões já existentes.

Quando há patrimônio relevante e estrutura familiar complexa, deixar para depois é uma decisão — ainda que inconsciente.

E toda decisão gera consequências.

Esse caso poderia ter sido resolvido em vida, com segurança, economia tributária e previsibilidade. Em vez disso, tornou-se um processo longo, caro e emocionalmente desgastante.

A pergunta que sempre faço é simples:

Se você sabe que um inventário é inevitável após o falecimento, por que deixar que ele aconteça da forma mais difícil possível?

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