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Sucessões

45 anos para concluir um inventário: quando o tempo quase destruiu um grande negócio imobiliário

By fevereiro 12th, 2026No Comments3 min read

Eu já atuei em inventários complexos, litigiosos, demorados. Mas poucos casos me marcaram tanto quanto um processo que começou em 1978 e só terminou em 2023.

Quarenta e cinco anos.

Quando assumi esse inventário, ele já estava em andamento havia décadas. O patriarca havia falecido em 1978. Ao longo dos anos, o processo atravessou gerações, mudanças legislativas, alterações de entendimento jurisprudencial e inúmeras dificuldades documentais.

Uma curiosidade histórica: o despacho inicial foi proferido por Antonio Cezar Peluso, à época juiz titular da 7ª Vara da Família e Sucessões de São Paulo. Décadas depois, eu estava ali tentando concluir o que começou sob a condução de um magistrado que viria a se tornar ministro do Supremo Tribunal Federal.

Mas o ponto mais delicado não era a história do processo. Era o presente.

A família precisava regularizar o patrimônio com urgência para vender um imóvel a uma incorporadora. O negócio era relevante. Havia prazo. Havia negociação avançada. Havia risco real de perda da oportunidade.

E o inventário ainda não estava encerrado.

Imóveis sem matrícula regularizada, partilha pendente, registros incompletos, pendências acumuladas por décadas. Cada ano que passava aumentava a complexidade. Documentos se perdiam. Pessoas faleciam. Herdeiros se multiplicavam.

O custo foi alto. Muito alto. Não apenas financeiro. Houve desgaste emocional, tensão entre familiares e insegurança quanto à conclusão.

Conseguimos finalizar em 2023. A transferência dos imóveis finalmente ocorreu. O negócio foi salvo.

Mas o preço pago ao longo de 45 anos foi imensamente superior ao que teria sido necessário se o patrimônio estivesse organizado desde o início.

O que esse caso ensina?

Inventário não é apenas um procedimento jurídico. É um processo que congela patrimônio. Enquanto não há partilha regularizada:

  • imóveis não podem ser vendidos com segurança,
  • negócios são postergados,
  • oportunidades se perdem,
  • o valor econômico do bem se deteriora.

Quando o patrimônio não está estruturado, o tempo passa a trabalhar contra a família.

Planejamento sucessório não é antecipação da morte. É organização da vida patrimonial.

Se esse patriarca tivesse estruturado a sucessão em vida, aquele processo de 45 anos simplesmente não existiria.

Quantas famílias hoje têm patrimônio relevante, mas não têm organização sucessória adequada?

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